Quais países/regiões são os mercados mais interessantes e/ou emergentes para bioestimulantes?
A Ásia-Pacífico e a América Latina estão ultrapassando o resto do mundo em crescimento de bioestimulantes, com aumentos de 12,5% e 12,7%, respectivamente, impulsionados pela adoção relativamente tardia das regiões e pelo espaço para crescimento, pela crescente disposição dos consumidores em pagar por produtos agrícolas de maior qualidade e pela necessidade de uso mais eficiente dos recursos. Brasil, China e Índia também apresentam oportunidades de mercado significativas, junto com Indonésia e países da África Subsaariana, como a Nigéria. A crescente conscientização dos agricultores sobre os benefícios dos bioestimulantes para aumentar a produtividade é certamente um fator que impulsiona o negócio de bioestimulantes. O mercado também está crescendo devido à adoção crescente de métodos agrícolas sustentáveis, além do apoio político e governamental a tecnologias agrícolas mais sustentáveis. A estratégia “farm to market”, que estabeleceu metas como reduzir o uso de fertilizantes em pelo menos 20% até 2030, está no centro do Pacto Verde da União Europeia e é um claro exemplo de que o apoio aos bioestimulantes está prestes a ganhar força.
Qual é o ambiente regulatório para bioestimulantes na sua região?
Já em 2022, o setor primário de produção alimentícia precisa cumprir futuras mudanças de política: o novo conteúdo político do Regulamento da UE sobre Produtos Fertilizantes da Economia Circular (UE 2019/1009), adotado em 5 de junho de 2019, será efetivamente aplicado a partir de julho de 2022. O Regulamento estabelece regras sobre a colocação de produtos fertilizantes da UE no mercado e altera os Regulamentos (CE) nº 1069/2009 e (CE) nº 1107/2009 e revoga o Regulamento (CE) nº 2003/2003.
Esse novo arcabouço regulatório será, sem dúvida, um avanço na regulamentação europeia e no reconhecimento da indústria de bioestimulantes, favorecendo empresas como a Futureco Bioscience, que inovam, pesquisam e desenvolvem bioestimulantes com base nas necessidades do mercado, mas ao mesmo tempo garantindo eficácia, confiabilidade e segurança ambiental. Também é verdade que a Futureco Bioscience atualmente exporta para cerca de 60 países e sempre teve um foco internacional. Essa abordagem nos dá uma grande vantagem em termos regulatórios, pois temos um departamento regulatório com muita experiência em adaptar e lidar com as peculiaridades de regulamentos muito diferentes em nível global. Mesmo os mais exigentes, e com abordagens tão diferentes quanto as regulamentações americanas, as de alguns países do Norte da África como Egito ou México.
Como a ciência desses produtos mudou?
Classificados de acordo com sua origem e não por sua constituição, os bioestimulantes têm comprovado potencial para melhorar o crescimento das plantas, aumentar a produtividade e a qualidade das culturas, além de melhorar os efeitos do estresse. No entanto, a natureza multimolecular e a composição variada dos bioestimulantes comercialmente disponíveis representam desafios para tentar elucidar seus mecanismos subjacentes. Embora a maior parte das pesquisas tenha se concentrado nos efeitos gerais dos bioestimulantes nas culturas, estudos recentes em nível molecular começaram a desvendar as vias desencadeadas por certos produtos nos níveis celular e genético. A compreensão das influências moleculares envolvidas no mecanismo de ação poderia não apenas levar a uma maior melhoria desses tratamentos, mas também a demonstrar cientificamente seu efeito nas culturas e, portanto, a profissionalizar o setor, evitando intrusão não profissional. Esse progresso é apoiado por pesquisas no setor de bioestimulantes, que experimentaram um forte e progressivo aumento no número de publicações nos últimos anos e que, em 2021, aumentaram ainda mais, alcançando mais de 450 trabalhos publicados internacionalmente.
Como a percepção dos bioestimulantes mudou?
A percepção dos bioestimulantes mudou, pois argumentos científicos apoiaram suas funcionalidades, e os produtores puderam confirmar em suas próprias fazendas o papel do uso desses produtos na conquista de seus objetivos qualitativos e quantitativos. Por muitos anos, e em alguns casos ainda hoje, os bioestimulantes foram considerados algo agradável de aplicar, mas não essencial. Inicialmente, os bioestimulantes foram relegados à agricultura de exportação e, especialmente, a culturas de maior valor agregado, mas, gradualmente, devido ao seu impacto em termos de rendimento, qualidade e gestão da produção, seu uso tornou-se amplo. Nos últimos anos, seu uso tornou-se comum em culturas extensas ou cereais. Após a pandemia de 2020, presumiu-se que, com o aumento dos custos dos insumos, eles seriam os primeiros a serem cortados, mas a tendência parece estar indo na direção oposta.
Quais tendências você/a empresa observaram em relação aos bioestimulantes?
Eu diria que as principais tendências dos bioestimulantes estão focadas na resistência ao estresse abiótico, seguida pela melhoria da absorção de nutrientes e da qualidade do produto. Entre os estresses abióticos, a seca é a mais estudada, seguida pela salinidade e temperaturas extremas, provavelmente fortemente ligadas ao efeito das mudanças climáticas. Por outro lado, há uma demanda crescente por microrganismos fixadores de nitrogênio: embora o nitrogênio seja o elemento necessário, após o carbono, em maiores quantidades pelas plantas para seu crescimento e desenvolvimento, microrganismos fixadores de nitrogênio podem ajudar a reduzir a quantidade de fertilizantes nitrogenados, agora que há escassez de matérias-primas, preços muito altos e uma atenção crescente tanto à sustentabilidade ambiental quanto econômica.
Como empresa, somos reconhecidos por nossa expertise no uso de microrganismos e pelo valor agregado que nossos microrganismos e seus subprodutos podem oferecer à agricultura. Por exemplo, com os metabólitos adicionais da cepa B25 de Lysobacter enzymogenes e da cepa B2575 de Corynebacterium flavescens, o RADISAN WG aumenta significativamente a taxa de sobrevivência dos transplantes e estimula ainda mais o crescimento vegetativo.
O que motiva essas mudanças?
As principais tendências são impulsionadas pelas necessidades dos produtores: algumas dessas necessidades se devem ao surgimento de novas situações, como falta de água, mudanças nas condições climáticas causadas pelas mudanças climáticas que estão causando novos tipos de estresse, mudanças regulatórias que proíbem o uso de ingredientes ativos comumente usados na maioria das fazendas, a falta de soluções sustentáveis para manter a produtividade sem aumentar ou reduzir insumos, etc. Para todas essas situações, os agricultores precisam de produtos que lhes permitam continuar produzindo com os rendimentos e qualidades que mantêm a lucratividade de suas fazendas.
Qual novo produto/serviço sua empresa lançou recentemente?
A Futureco Bioscience, liderada por seu fundador e atual CEO, Rafael Juncosa, um visionário desse ramo, vem inovando, pesquisando e desenvolvendo áreas de ponta há quase 30 anos. Embora para algumas empresas muitos temas possam agora ser novas tendências, na Futureco Bioscience eles têm sido nosso dia a dia desde nossas origens. Rafael Juncosa fundou a empresa nos anos 90, numa época em que esses temas pareciam “ficção científica” e hoje estão na boca de todos. Nosso amplo conhecimento tanto em biocontrole quanto em bioestimulação, o fato de termos uma equipe científico-técnica multidisciplinar e instalações de última geração nos permitiram manter uma visão holística do sistema de produção agrícola.
Por essa razão, sabemos muito bem que o solo é a espinha dorsal que nutre as culturas e que a produção agrícola depende de sua saúde. Seguindo nosso interesse, conhecimento e experiência com microrganismos, desenvolvemos recentemente o GENOMAAT, uma ferramenta que, por meio de uma análise holística do sistema de produção, incorporando análise metagenômica do solo e interpretação funcional, nos permite oferecer aos agricultores combinações ou consórcios microbianos (quitinolíticos, ligninolíticos, solubilizadores de fósforo, fixadores de nitrogênio, …) especificamente projetados para restaurar o equilíbrio natural dos solos, com melhora direta tanto na produtividade quanto na qualidade das culturas.
Quais são as maiores oportunidades para bioestimulantes nos próximos anos e qual é o plano para aproveitá-las?
Pode parecer que a agricultura enfrenta duas forças opostas. Por um lado, é necessária mais produção devido ao crescimento da população mundial. Por outro lado, estamos testemunhando uma redução necessária no número de ferramentas de produtividade agrícola disponíveis devido a regulamentações governamentais como o Pacto Verde da UE. Além disso, as mudanças climáticas também estão colocando os sistemas de cultivo à prova. Seja seco ou muito úmido, estamos vendo esses extremos em todo o mundo. Nessa situação complexa, há uma demanda crescente por novas ferramentas que sejam sustentáveis, eficazes e acessíveis para complementar a química sintética – é uma enorme oportunidade global para bioestimulantes.
Por fim, em uma escala menor e talvez mais simples, as maiores oportunidades estão em poder desenvolver produtos que atendam rápida e com segurança às novas necessidades dos produtores. No nosso caso, na Futureco Bioscience, estamos utilizando os avanços científicos mais sofisticados e operacionais para desenvolver novos produtos, cada vez mais “sob medida”.
Quais são os maiores desafios dos bioestimulantes nos próximos anos e o que você pretende fazer para superá-los?
Um dos maiores desafios enfrentados pela indústria de bioestimulantes é demonstrar cientificamente a funcionalidade declarada e justificar a ação biológica e funcional do produto sobre espécies de criação. Será cada vez mais importante, e em breve necessário, cumprir dossiês muito completos, e todas as substâncias terão que ser estudadas e aprovadas por terceiros credenciados, garantindo assim sua composição, funcionalidade e inofensividade para saúde e segurança ambiental. Tenho certeza de que esse cenário contribuirá para maior transparência e confiança no setor.
A Futureco Bioscience reconhece e enfrenta esses desafios atualizando e melhorando constantemente seu pipeline de pesquisa e desenvolvimento bem estabelecido, para entregar produtos respaldados por dados de ensaio consistentes e confiáveis, que podem produzir resultados valiosos e reproduzíveis. A experiência no desenvolvimento de protocolos pode reduzir o número total de testes e temporadas necessárias para avaliar o desempenho e coletar dados para o registro do produto. Uma análise competente pode aumentar o valor da informação. No geral, uma abordagem bem planejada como o processo de desenvolvimento da Futureco Bioscience também ajuda a evitar armadilhas que podem atrasar o desenvolvimento do produto e a entrada no mercado, além de aumentar custos.
O que mais você precisa saber sobre bioestimulantes?
Engenhar o microbioma vegetal ou projetar e desenvolver um bioestimulante está longe de ser simples e exige um nível considerável de conhecimento científico, experiência de campo e inovação técnica. Nossa equipe multidisciplinar de cientistas e agrônomos da Futureco Bioscience já está pesquisando e testando a próxima geração de bioestimulantes, projetados como uma ferramenta agronômica específica para atender à demanda por métodos alternativos baseados em substâncias bioativas ambientalmente corretas que apoiam a biodiversidade em ecossistemas agrícolas. Na verdade, há muitas evidências mostrando que um microbioma saudável nas culturas e a aplicação oportuna de bioestimulantes vegetais podem restaurar a saúde e a produtividade do solo sob condições de baixo consumo de nutrientes e, assim, contribuir para sistemas sustentáveis de produção alimentar.

